Mós planas ou cônicas
Duas geometrias que moem o mesmo grão de dois jeitos. A questão não é qual é melhor, mas que forma tem a nuvem de partículas que chega ao filtro.
Um moedor não corta o café: ele o fratura ao forçá-lo por um espaço que se estreita. A forma desse espaço é a geometria das mós, e é a decisão de projeto que mais incide sobre o que chega ao filtro.
Como trabalham as duas geometrias
As mós cônicas são um cone que gira dentro de um anel. O grão entra por cima, cai por gravidade no espaço entre os dois e vai sendo reduzido enquanto desce para a parte mais estreita. A gravidade ajuda, então é possível girar devagar; girar devagar significa aquecer pouco.
As mós planas são dois discos frente a frente, um fixo e um girando. O café entra no centro e é empurrado para fora pela força centrífuga, moendo progressivamente até sair pela borda. O percurso é mais uniforme porque cada partícula atravessa a mesma distância entre as duas superfícies, mas essa força centrífuga precisa ser produzida: gira-se mais rápido e aquece-se mais.
A distribuição das partículas, que é o ponto
Nenhum moedor produz partículas todas iguais. Produz uma distribuição: muitas partículas em torno da medida desejada e caudas — pó finíssimo de um lado, fragmentos mais grossos do outro.
Dito sem simplificar demais: as cônicas tendem a produzir uma distribuição mais larga, com dois adensamentos; as planas, uma mais estreita e concentrada. A quantidade de finos e a sua distribuição mudam o modo como a água atravessa a pastilha.
As consequências na xícara costumam ser contadas como «as cônicas dão corpo, as planas dão clareza». É uma aproximação útil para se orientar e falsa se levada ao pé da letra: a mesma geometria, com diâmetros, materiais, velocidades de rotação e afiações diferentes, dá resultados diferentes. A geometria é uma das variáveis, não a variável.
O diâmetro conta tanto quanto a geometria
Com a mesma forma, mós maiores trabalham cada grão por menos tempo e em menos passagens: o café atravessa a zona de moagem mais depressa, aquece menos, e a distribuição permanece mais constante mesmo moendo continuamente.
Em 7 de setembro de 2026 os moedores do catálogo que declaram o diâmetro são 39, com valores de 38 a 83 mm. Os adensamentos estão em 64 mm (8 modelos), 40 mm (7), 54 mm (6) e 83 mm (4): não é um contínuo, são formatos industriais que se repetem de um fabricante a outro.
As duas geometrias, no que importa
| Cônicas | Planas | |
|---|---|---|
| Como o café avança | Por gravidade, para baixo | Por força centrífuga, para fora |
| Rotação típica | Mais baixa | Mais alta |
| Calor cedido ao café | Menor | Maior |
| Distribuição das partículas | Mais larga | Mais estreita |
| Retenção | Questão de projeto, não de forma | Questão de projeto, não de forma |
O que diz o nosso catálogo
Em 7 de setembro de 2026, dos moedores que declaram a geometria (38 fichas), 22 montam mós planas e 16 cônicas. Nas automáticas o quadro muda por completo: das 41 que declaram o tipo, 28 usam mós de cerâmica e 13 cônicas de aço.
Essa cerâmica merece uma palavra, porque é a entrada que mais confunde: ela descreve o material, não a geometria. A cerâmica não aquece como o aço e não corrói, mas é mais frágil — uma pedrinha entre os grãos, que o aço absorve, pode lascá-la. Pertence, portanto, a uma coluna diferente de «planas ou cônicas», e as duas informações não se excluem.
Como se decide, na prática
- Você mói quase só para espresso e busca corpo. Cônicas de diâmetro generoso.
- Você quer o mesmo resultado do primeiro ao último café, mesmo moendo muito. Planas, e as maiores possíveis: é o formato que aguenta a repetição.
- Você mói para espresso e para filtrado. Olhe primeiro a amplitude do ajuste e a sua finura, e depois a geometria: é ela que decide se um só aparelho pode servir a dois métodos.
- Você está avaliando uma automática. A geometria pesa menos do que a possibilidade de ajustá-la e limpá-la: aqui o moedor não é escolhido por você, a máquina o herda.
O catálogo de moedores é dividido por uso: para espresso, polivalentes e manuais.